Metáforas conceituais em reportagens premiadas sobre a biodiversidade da Mata Atlântica

Este artigo descreve o uso de metáforas conceituais em reportagens premiadas sobre a biodiversidade da Mata Atlântica. A descrição, feita a partir de Lakoff e Johnson (2002), revela o papel semântico das metáforas ontológicas e estruturais, mostrando como elas podem clarear e/ou ofuscar conceitos ambientais.

METÁFORAS CONCEITUAIS EM REPORTAGENS PREMIADAS SOBRE A BIODIVERSIDADE DA MATA ATLÂNTICA[1]

AUTOR: Roberto Villar BELMONTE[2] (Instituto de Letras da UFRGS)

ORIENTADOR: Maria José Bocorny FINATTO[3] (Instituto de Letras da UFRGS)

RESUMO: Este artigo descreve o uso de metáforas conceituais em reportagens premiadas sobre a biodiversidade da Mata Atlântica. A descrição, feita a partir de Lakoff e Johnson (2002), revela o papel semântico das metáforas ontológicas e estruturais, mostrando como elas podem clarear e/ou ofuscar conceitos ambientais.

PALAVRAS-CHAVE: Metáfora; redação jornalística; jornalismo ambiental; educação ambiental

1. Introdução

O objetivo deste artigo é descrever as metáforas utilizadas em reportagens sobre a biodiversidade da Mata Atlântica e, a partir das descrições, identificar o papel semântico dessas metáforas em textos considerados de excelência no jornalismo ambiental brasileiro. A descrição é feita a partir do conceito de metáfora conceitual de Lakoff[4] e Johnson[5] (2002).

Este breve estudo convoca conhecimentos da Lingüística, da Ecologia e do Jornalismo para mostrar que uma metáfora pode clarear e/ou ofuscar conceitos ecológicos. Por isso, o tema metáfora merece atenção na produção, leitura e interpretação dos textos jornalísticos que tratam de conflitos entre sociedade e natureza. O corpus sob exame é composto por reportagens que conquistaram o primeiro lugar nas quatro primeiras edições do Prêmio de Reportagem sobre Biodiversidade da Mata Atlântica. Quais são as metáforas utilizadas pelos jornalistas que escreveram as reportagens? Quais conceitos estão presentes nessas metáforas? Essas são as perguntas de pesquisa deste artigo.

Ao mostrar a existência e a funcionalidade dos conceitos metafóricos nos textos das reportagens, procuro chamar a atenção para um desafio lingüístico que precisa ser enfrentado pelos jornalistas ambientais: a apresentação de conceitos ecológicos complexos em veículos de comunicação de massa em uma linguagem que deve primar pela simplicidade.

O escopo deste trabalho é identificar e analisar metáforas ontológicas e estruturais nas reportagens observadas à luz do referencial teórico selecionado. Assim, este estudo se concentra no conteúdo das metáforas conceituais encontradas nos textos. A seguir será brevemente apresentada a teoria que fundamenta a percepção da metáfora conceitual tomada aqui como referência. Também farei um rápido levantamento dos conceitos de natureza e explicarei o que é o jornalismo ambiental. Depois de apresentar o corpus e o método de análise, todas as metáforas ontológicas e estruturais encontradas são discutidas. Por fim, descrevo as metáforas conceituais, apresento as minhas interpretações sobre o quadro metafórico identificado e sugiro alguns caminhos de pesquisa.

2. Revisão da literatura

O valor cognitivo da metáfora ganhou mais importância nos estudos lingüísticos a partir do trabalho de Lakoff e Johnson publicado em 1980[6]. Até então predominavam os estudos que a consideravam apenas um mero ornamento retórico restrito à linguagem, sem que ela implicasse qualquer produção de conhecimento. Essa abordagem da metáfora parece ter sido conseqüência do mito do objetivismo introduzido no pensamento ocidental pelo racionalismo cartesiano. A linguagem, na concepção objetivista, deveria ser um espelho da realidade. Quanto mais literal, mais objetiva e científica. Acreditava-se que era possível o acesso a um conhecimento verdadeiro pela razão (racionalistas) ou pela percepção sensorial (empiristas) ultrapassando-se, para tanto, a imperfeita mediação da linguagem em uso, uma linguagem plena de duplos sentidos e imprecisões que só deturpariam o conhecimento verdadeiro.

Com a emergência do cognitivismo, o conhecimento da realidade passou a ser visto como uma construção mental. Apenas a informação dita objetiva não é suficiente para o processo de cognição. O conhecimento passa a ser visto como o resultado de uma ação individual que dependerá da interação com o contexto sociocultural e com o conhecimento preexistente do sujeito. Em meio a tal percepção sobre o que seja conhecimento, a metáfora deixou de ser vista como um ornamento e passou a ser considerada como uma operação cognitiva com interesse epistemológico. Para Lakoff e Johnson (2002), que seguem essa concepção, há um sistema conceitual metafórico subjacente à linguagem que influencia todo pensamento e toda ação. A metáfora, segundo esta visão, faz parte da vida cotidiana. Na linguagem, ela está totalmente imbricada na vida humana sendo capaz de tornar a nossa própria vida uma experiência organizada.

Em todos os aspectos da vida, não apenas em política ou em amor, definimos nossa realidade em termos de metáforas e então começamos a agir com base nelas. Fazemos inferências, fixamos objetivos, estabelecemos compromissos e executamos planos, tudo na base da estruturação consciente ou inconsciente de nossa experiência por meio de metáforas. (LAKOFF, 2002:260)

Para os autores, a metáfora não é uma simples forma de dizer, mas também de compreender e experienciar uma coisa em termos de outra, de pensar e agir. A figura está na linguagem cotidiana, na literária e até mesmo na científica. A dicotomia entre razão (objetivismo) e imaginação (subjetivismo) dá lugar a uma racionalidade imaginativa. A metáfora, nessa concepção, concilia razão e imaginação. Esta visão também unifica o corpo e a mente, pois, segundo os autores, compreendemos o mundo por meio de metáforas construídas com base em nossa experiência corporal. Trata-se de perspectiva que concebe uma mente corporificada.

Segundo Lakoff e Johnson (2002), as pessoas pensam conceitos metaforicamente. Estes conceitos metafóricos estão baseados na nossa constante interação com o nosso meio físico e cultural. Entre vários tipos de metáforas, as metáforas conceituais têm sempre uma forma proposicional e de um modo geral estão subjacentes à linguagem e não são enunciadas. Mas é a linguagem, no entanto, que revela os conceitos metafóricos. Por exemplo, na sentença é preciso destruir os argumentos do fulano está subjacente a metáfora discussão é uma guerra. Nessa ótica, a metáfora não é mais vista como um mero enfeite retórico, mas como uma forma de conhecer a realidade. A metáfora ilumina, atenua e esconde aspectos da experiência.

A visão tradicional-objetiva reconhece que uma metáfora pode descrever a realidade, e entende realidade como um objeto externo em relação ao sujeito. Na perspectiva cognitivista, a metáfora não apenas descreve, como também pode criar a realidade. E, ao fazer isso, influencia a ação. “As metáforas novas têm o poder de criar uma realidade nova” (LAKOFF, 2002: 242). Se a metáfora discussão é uma guerra desse lugar a uma nova metáfora do tipo discussão é uma dança, por exemplo, talvez os debates fossem mais cooperativos.

2.1. Conceitos de natureza

Uma mudança de metáfora conceitual fundamenta o olhar ecológico. A metáfora predatória a vida é uma máquina parece estar pouco a pouco sendo substituída por uma nova metáfora: a vida é uma teia de relações. A partir da Renascença, que privilegiou um modelo urbano de vida, a natureza selvagem passou a ser vista como o oposto da civilização. A animalidade passou a ser indesejada e objeto de domesticação, não apenas o animal na floresta, mas também a animalidade humana.

É contra o natural que se afirmam a sociedade e a subjetividade modernas. É nesse contexto que a cultura ilustrada se ergue como uma parede invisível a demarcar um território humano civilizado contra a natureza selvagem. É nesse momento que se constrói historicamente a representação da natureza como lugar da rusticidade, do incultivado, do selvagem, do obscuro e do feio. (CARVALHO, 2002: 41)

Junto com este conceito de natureza domada também já havia, segundo Carvalho (op.cit.), o conceito de naturalismo arcádico, de onde veio o conceito holístico que postula uma vida em harmonia com a natureza. É contra esta visão de mundo do humano em harmonia com o natural que se insurge o império da razão que vê a natureza como um objeto cujo único fim é servir ao homem. A partir do século XVIII, os efeitos da urbanização e da poluição industrial começam a ser sentidos. Novas sensibilidades em relação à natureza emergem na Inglaterra e, a partir do século XIX, há uma valorização do mundo natural nos Estados Unidos. A nostalgia de uma natureza intocada dá lugar a uma idéia de natureza como reserva do Bem, da beleza e da verdade. Esta visão romântica recusa a metáfora iluminista do mundo e da vida como máquina e a sua conseqüente ética utilitária, egoísta e predatória.

No campo ambiental, identifico diversos conceitos metafóricos de natureza. Há um viés mais romântico e naturalista segundo o qual a natureza tem um valor em si, independente de sua utilidade para a sociedade, e os seres humanos são vistos como fazendo parte do mundo natural. Esta concepção também é chamada de holística ou sistêmica. Por outro lado, a natureza é vista por um viés dito cartesiano, como objeto externo a ser observado, explicado e dominado, e o seu valor, inclusive econômico, é proporcional à utilidade que tem para o homem. Nesta maneira de ver o mundo natural, homem e natureza estão separados.

Entre estes dois pontos de vista, o romântico e o cartesiano, há diversas variações de perspectiva. Por exemplo, existe uma visão naturalista cartesiana da natureza em que ela é vista apenas como um objeto de estudo que deve ser mantido livre da influência humana. Há também, no campo ambiental, uma visão naturalista mística da natureza segundo a qual ela teria um valor sagrado ou sobrenatural. Ainda existe uma visão romântica utilitária emergente que reconhece tanto o valor em si da natureza quanto o valor dela para a sociedade expressa no termo uso sustentável, ou seja, o homem é visto como parte da natureza e esta pode ser útil somente até o seu limite de regeneração.

2.2. O jornalismo ambiental

Os conceitos de natureza estão presentes nos textos jornalísticos que tratam das questões ambientais. As reportagens escritas sobre a biodiversidade da Mata Atlântica são textos do gênero[7] jornalismo ambiental. Este gênero textual é identificado entre as demais reportagens jornalísticas pelo seu tema predominante: os conflitos que surgem da relação entre sociedade e natureza. O jornalismo ambiental é considerado uma especialidade dentro do jornalismo brasileiro, ora como um subgênero do jornalismo científico, ora como gênero específico.

Quando a ciência questiona a vida, as contradições do mundo ambiental emergem com mais força. A simplificação rasa, freqüente na imprensa, não ajuda a desvendar os problemas ambientais. Qual o caminho, então? O caminho é mergulhar na complexidade, nas várias facetas que a biodiversidade tem e de como elas podem ser capturadas pelo jornalismo no século XXI. (GERAQUE, 2004: 80-81)

Uma das tarefas dos jornalistas que escrevem sobre as relações entre sociedade e natureza é colocar nos textos das reportagens os complexos conceitos ambientais, entre eles o próprio conceito de natureza, de maneira que sejam compreendidos por um público de massa heterogêneo. O jornalista tem que simplificar os conceitos sem, no entanto, distorcer totalmente os seus significados. Segundo Geraque (2004), o desafio do jornalista ambiental seria preencher o hiato que existe entre o mundo vivo e o pedaço de mundo recortado para a página do jornal.

Silva (2005) descobriu que há uma diferença entre o conteúdo de reportagens sobre temas ambientais e a opinião sobre as questões ambientais dos 32 jornalistas que escreveram os textos nos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Globo analisados pela autora. Os jornalistas teriam uma percepção mais ecológica de natureza do que aquela encontrada nos textos escritos por eles. Silva e Geraque indicam, a meu ver, que o jornalismo ambiental brasileiro tem um grande desafio lingüístico e cognitivo: colocar nos textos os conceitos ambientais. O uso de metáforas é uma das maneiras de fazer isso.

2.3. Posicionamento deste trabalho

Neste trabalho adoto o ponto de vista lingüístico sociointeracional. A linguagem é aqui considerada como a capacidade cognitiva dos seres humanos que depende de uma ação compartilhada, e não apenas da mente de um indivíduo, mas da relação com o outro e com o mundo. O sentido tem sempre relação com o conhecimento prévio do sujeito, fruto da experiência cotidiana, e com o contexto sociocultural. Ele não está apenas no texto, mas depende dos usuários da linguagem. O sentido é sempre o sentido para alguém. A verdade e o sentido dependem da compreensão humana. O texto é o lugar onde se dá esta interação.

A metáfora conceitual é uma estrutura subjacente ao enunciado concreto que licencia a interpretação do sentido. Esta abordagem de Lakoff e Johnson (2002) foi escolhida para orientar a descrição das metáforas utilizadas nas reportagens sobre biodiversidade pelos pontos de convergência dos autores com o pensamento ecológico. A visão unificada de corpo e mente (mente corporificada) que fundamenta a metáfora conceitual e a abordagem cognitiva que abandona a separação entre sujeito e objeto estão em sintonia com a visão sistêmica que busca integrar sociedade e natureza. Como ressalta o pensador ecológico Fritjof Capra:

No decorrer das duas últimas décadas do século XX, os estudiosos da cognição fizeram três grandes descobertas, resumidas por Lakoff e Johnson: A mente é intrinsecamente encarnada. O pensamento é, em sua maior parte, inconsciente. Os conceitos abstratos são, em grande medida, metafóricos. Quando essas idéias forem amplamente aceitas e integradas numa teoria coerente acerca da cognição humana, obrigar-nos-ão a reexaminar muitos dos axiomas fundamentais da filosofia ocidental. (CAPRA, 2002: 78)

Um destes axiomas citados por Capra é justamente a visão cartesiana que vê a natureza apenas como objeto, que tem, a meu ver, resultado na destruição dos recursos naturais do planeta e colocado a vida como a conhecemos em risco de extinção. A superação deste ponto de vista que nos coloca fora da natureza também é necessária na cobertura realizada pela imprensa sobre os conflitos ecológicos.

3. Objeto de estudo

O corpus escolhido para descrever e identificar a funcionalidade das metáforas na transmissão do conhecimento ambiental através de reportagens é composto por quatro textos (com um total de 8.900 palavras) que conquistaram o primeiro lugar nas quatro primeiras edições do Prêmio de Reportagem sobre Biodiversidade da Mata Atlântica[8] promovido anualmente no Brasil, desde 2001, pela organização privada Conservation International. O que me levou a escolher o objeto de estudo foi o caráter de referência que estas reportagens adquiriram no meio jornalístico ao conquistar a principal premiação do jornalismo ambiental brasileiro.

Dos quatro textos jornalísticos analisados, dois foram publicados em edições dominicais de jornais diários e dois em revistas mensais: Jardim de luxo sustenta tráfico de plantas foi publicado por Sérgio Duran e Karla Monteiro no jornal Folha de São Paulo em 17/09/2000; Siga a anta: ela é um detetive ecológico, de Liana John, saiu no Jornal da Tarde, de São Paulo, em 6/05/2001; Projeto Muriqui, parceria de futuro foi publicado por Fernanda Couzemenco em maio de 2002 na Revista Século, uma publicação regional que circulava no Espírito Santo, mas deixou de ser publicada; e A floresta renasce, de Carlos Fioravanti, Ricardo Zorzetto e Marcelo Ferroni foi publicado na edição de setembro de 2003 da revista Pesquisa Fapesp, editada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo com circulação nacional.

4. Materiais e Métodos

Os textos aqui analisados são reportagens escritas para jornais e revistas, portanto são produções textuais para serem lidas em veículos impressos, e não ouvidas no rádio, assistidas na televisão ou lidas em um meio eletrônico. Nas páginas dos jornais e revistas, eles foram publicados com fotos e em páginas diagramadas com os recursos gráficos característicos da imprensa escrita. No entanto, utilizei aqui o mesmo formato usado pelos jurados do Prêmio que recebem os textos brutos, sem qualquer formatação ou recurso gráfico.

Para os fins deste trabalho, adoto o conceito de metáfora de Lakoff e Johnson: “A essência da metáfora é compreender e experenciar uma coisa em termos de outra” (2002:47). O efeito de sentido criado pelas metáforas conceituais depende do modo como concebemos o mundo. “As metáforas como expressões lingüísticas são possíveis precisamente por existirem metáforas no sistema conceitual de cada um de nós. (2002: 48) Para os autores, existem três tipos de metáforas: orientacionais, ontológicas e estruturais.

A identificação das metáforas foi feita após diversas leituras de cada texto. As palavras que remetem às metáforas foram identificadas e sublinhadas. As metáforas não estão na superfície do texto. No entanto, percebe-se que o sentido da sentença depende da existência de conceitos ou estruturas metafóricas na mente do leitor. Por exemplo, para a sentença a Mata Atlântica está na moda fazer sentido, o leitor precisa ter na mente a metáfora planta é um produto, que, apesar de não estar na superfície do texto está no sistema conceitual que orienta o pensamento e a ação do autor e do leitor. As metáforas conceituais são, portanto, predicativas do tipo s é p, como em bicho é gente ou ambientalismo é uma luta, e não denominativas, envolvendo substantivos (objetos) e adjetivos (propriedades), como em escultura vegetal ou mata virgem.

Depois de identificadas, elas foram classificadas como metáforas ontológicas ou estruturais. Procurei reproduzir os trechos onde elas ocorrem nos textos. A partir destes dois agrupamentos das metáforas conceituais foi possível observar os conceitos que estão presentes nas reportagens premiadas sobre a biodiversidade da Mata Atlântica. Cada metáfora conceitual é seguida de exemplos. As palavras que remetem à metáfora conceitual estão sublinhadas. Em alguns casos, principalmente nas metáforas ontológicas de personificação, há entre parêntesis uma observação sobre o sentido das palavras sublinhadas. Os números entre parêntesis indicam a reportagem onde a metáfora foi encontrada: um (1) é o texto Jardim de luxo sustenta tráfico de plantas, dois (2) é o texto Siga a anta: ela é um detetive ecológico, três (3) é o texto Projeto Muriqui, parceria de futuro e quatro (4) é o texto A floresta renasce.

5. Descrição das metáforas

Há metáforas orientacionais, ontológicas e estruturais no corpus. As orientacionais, no entanto, não foram consideradas na minha análise. Estas metáforas, também baseadas na experiência humana, dão a um conceito uma orientação espacial, como em corredores de fauna, cobertura vegetal, fragmentos de vegetação, manchas de vegetação e mares de canaviais, mas a meu ver não revelam tão bem um conceito de natureza como ocorre nas metáforas ontológicas e estruturais apresentadas a seguir:

5.1. Metáforas Ontológicas

A experiência humana com objetos físicos, em especial o próprio corpo, fornece a base para as metáforas ontológicas. Elas são formas de conceber nossas experiências em termos de objetos e substâncias.

a) Natureza é um produto

- Além disso, por causa da exigência do mercado, é impraticável para um paisagista usar plantas extraídas da mata, pela sua má qualidade. (planta é produto) (1)

- “Muitos índios ainda preferem buscar as plantas no mato para vender. Pegar o que está pronto é mais fácil”. (planta é produto) (1)

- “A mata atlântica está na moda”, afirma o paisagista Marcelo Faisal, … (planta é produto) (1)

- …a planta caiu no gosto popular (planta é produto) (1)

- …existem duas formas de se cultivar bromélias para a comercialização sem assaltar a natureza: clonagem e semeadura. (natureza é produto) (1)

b) Natureza é um produto estético

- “É uma escultura vegetal.” (planta é produto estético) (1)

c) Natureza é um produto limitado

- … e alertá-los para a possibilidade de explorar a floresta de forma sustentável (floresta é um recurso limitado) (3)

- …quais áreas devem permanecer intocadas… (floresta é um recurso limitado) (4)

d) Natureza é objeto modificado pelo homem

- Os 200 produtores locais investem em tecnologia para obter flores perfeitas. (flor perfeita é objeto produzido) (1)

- O papel restaurador não caberia só à natureza. (natureza é objeto restaurado) (4)

5.2 Metáfora Ontológica de Personificação

Para Lakoff e Johnson (2002: 87), as metáforas ontológicas mais óbvias são aquelas nas quais os objetos físicos são concebidos como pessoas, o que nos permite compreender experiências concernentes a entidades não-humanas em termos de motivações, características e atividades humanas. Eu considerei neste trabalho uma metáfora de personificação aquela expressão formada por palavras de traço mais humano. As metáforas conceituais encontradas têm a forma proposicional do tipo s é p.

É preciso reconhecer que a primeira grande sistematização dos tipos de juízo – observados via proposições – foi feita por Kant (1983) na obra Crítica da Razão Pura publicada em 1781. No entanto, o idealista alemão acreditava na possibilidade de um juízo categórico a priori, independente da experiência, o que na perspectiva lingüística interacional, a qual orienta este artigo, não é possível, pois o conhecimento depende da interação corpo e mente, sujeito e objeto. Isto é, desloca-se a perspectiva kantiana porque não há um conceito metafórico a priori na mente das pessoas. Mesmo assim, aproveitamos a forma proposicional s é p, uma das formas lógicas sistematizadas por Immanuel Kant, para apresentar as metáforas conceituais.

a) Planta é gente

- Jardim de luxo sustenta tráfico de plantas (sustentar, aqui usado com sentido de prover, é um verbo de traço humano) (1)

- De acordo com eles, as bromélias resolvem uma questão importante do paisagismo moderno, que é a falta de terreno para plantar. (resolver é um verbo de traço humano) (1)

- Sem a dispersão, as sementes germinam apenas em volta da árvore-mãe (mãe é uma palavra de traço humano) e não conseguem competir com esta por luz, nutrientes e água. O fragmento florestal fica apenas com árvores adultas (árvore é gente) e, quando elas caem ou morrem, a mata vai se empobrecendo. (empobrecer é um verbo de traço humano) (2)

- …manchas de vegetação natural candidatas a se tornarem áreas protegidas. (candidata é uma palavra de traço humano) (4)

b) Bicho é gente

- Siga a anta: ela é um detetive ecológico. (detetive é um substantivo de traço humano) (2)

- “Surgiu então a idéia de transformar as antas em ´detetives ecológicos´, …” (2)

- Pelo menos uma delas – um macho chamado João – morreu nas garras de uma das onças do mesmo programa, o Sherlock. Faltou explicar aos dois, talvez, que eram detetives com a mesma missão investigativa. (explicar é uma ação que visa outro humano) (2)

- Embora seja nosso maior mamífero, ela vive no ´anonimato´. (anonimato é uma palavra de traço humano) (2)

- O total de recursos foi da ordem de R$ 13 mil, quando seriam necessários R$ 40 mil anuais para tocar o projeto com autonomia, como acontece com pesquisas com espécies mais ´famosas´, como o mico-leão-preto. (famosa é um adjetivo de traço humano) (2)

- As mãos, sem o polegar oponível, como o dos humanos, facilitam ainda mais esse balé nas alturas. (balé é uma atividade humana) (3)

- o esperma do muriqui tem a propriedade de solidificar-se na porção inicial da vagina. Assim cria um tampão que impede novas cópulas com outros pretendentes. Porém, as fogosas muriquis habilmente desenvolveram a capacidade de remover o incômodo tampax, …(tampax é um objeto íntimo humano) (3)

- …solo bom para o café era aquele coberto por mata virgem (virgem é um adjetivo sexual humano) (4)

5.3. Metáforas Estruturais

Nas metáforas estruturais, um conceito é estruturado metaforicamente em termos de outro. Um conceito é parcialmente estruturado por uma metáfora e pode ser expandido de algumas maneiras e não de outras. A estrutura metafórica se reflete na linguagem literal, no texto. Lakoff e Johnson destacam que a estruturação metafórica aqui envolvida é apenas parcial e não total. “Se fosse total, um conceito seria, de fato, o outro e não simplesmente entendido em termos do outro”. (2002: 57)

a) Extração sem controle é doença

- De acordo com a bióloga da USP, Burle Marx extraía bromélias com acompanhamento de especialistas. “E os tempos eram outros, não havia essa febre de hoje.” (1)

b) Natureza é pacífica / Humanidade é violenta

- “São macacos muito tranqüilos, que vivem sem hierarquia ou agressão, e acho que eles podem servir como um modelo de como deve ser o comportamento humano”, desabafa Karen. (natural é bom, tranqüilo / humano é mal, agressivo) (3)

- …solo bom para o café era aquele coberto por mata virgem (natural é bom) (4)

c) Ambientalismo é uma luta

- …o que se quer é fazer do muriqui uma espécie-bandeira, … (muriqui é uma bandeira de luta) (3)

- Vegetação natural paulista recupera 3,8% do espaço perdido nas últimas décadas (4)

- As árvores começaram a cair com a chegada da agricultura e das ferrovias, construídas para facilitar o comércio e a expansão do café no final do século 19. E continuaram a desabar à medida que as cidades se formavam… (4)

- “As regiões que têm menos vegetação natural são as que mais perdem”, … (4)

d) Ambientalismo é uma seita/religião

- …um caçador convertido em conservacionista, … (4)

e) Natureza é complexa

- …representa o que aconteceu com o conjunto da cobertura vegetal paulista – um mosaico formado por florestas densas entremeadas por mangues… (vegetação é uma construção multifacetada) (4)

6. Resultados

A natureza é um conceito que, como qualquer outro, exige uma definição metafórica para ser compreendido. Neste corpus formado por quatro reportagens premiadas sobre a biodiversidade da Mata Atlântica foi possível constatar que o conceito de natureza é estruturado por várias metáforas. Natureza é gente, é um produto, é um produto estético, é um produto limitado e é complexa. “Os conceitos que ocorrem em definições metafóricas são aqueles correspondentes aos tipos naturais de experiência”. (LAKOFF, 2002: 208) Naturais no sentido de as experiências serem um produto de nossos corpos, nossas interações com o ambiente físico, nossas interações com outras pessoas em nossa cultura.

Poucas metáforas denominativas foram encontradas. Denominativas são as metáforas detetive ecológico, escultura vegetal e mata virgem. A maior parte das metáforas encontradas são conceituais, e a sua forma lógica proposicional do tipo s é p não está na superfície do texto, mas subjacente ao enunciado, o que revela, a meu ver, uma funcionalidade semântica das metáforas conceituais.

Outra constatação é que se destacam as metáforas ontológicas natureza é gentenatureza é produto.  A personalização bicho é gente e planta é gente aproxima a natureza do homem, a natureza é conceituada em termos humanos. Esta aproximação diminui em parte o hiato entre sujeito e objeto, homem e natureza, o que pode contribuir para uma visão mais ecológica da vida.

Mas um conceito metafórico também pode impedir de focalizar outros aspectos desse mesmo conceito que seja inconsistente com essa metáfora. (LAKOFF, 2002:53) Quando o bicho e a planta são personificados, o uso desta metáfora ontológica ofusca a animalidade humana, pois gente também é bicho, e também apaga o lado selvagem da natureza, pois bicho também é fera. Um tal ofuscamento da animalidade humana estaria mais de acordo com a idéia surgida na Renascença de que a animalidade é contra a civilização do que com um conceito ecológico de natureza. Este humano não-animal é superior aos demais seres vivos. Ao ofuscar em parte o conceito holístico que considera que a humanidade faz parte da natureza, inclusive com o seu lado selvagem, como um contínuo (a razão como uma evolução animal), as reportagens ambientais podem estar reproduzindo a visão cartesiana que separa o sujeito do objeto, a humanidade da natureza e a natureza da humanidade.

Na sentença Faltou explicar aos dois, talvez, que eram detetives com a mesma missão investigativa, os dois em questão são uma anta e uma onça. A autora desta reportagem usou aqui a metáfora da personificação como um recurso retórico para “enfeitar” a narrativa. Mas, como a metáfora da personificação é conceitual, a ironia da autora também parece passar a idéia de que os bichos deveriam ter a capacidade humana da compreensão para não agirem como selvagens.

A metáfora natureza é um produto é usada para ressaltar o caráter utilitário da natureza. As plantas, neste conceito, são objetos a serem explorados pelo homem, e têm valor na medida desta utilidade. A natureza aparece como um produto estético, e não apenas econômico, na metáfora escultura vegetal, passando a idéia de um uso mais específico deste objeto-escultura a ser contemplado. Há uma metáfora ontológica (natureza é modificada pelo homem) em duas sentenças que também tem a ver com a idéia de que natureza é um produto (fabricado pelo homem). A natureza não é um produto qualquer, mas um produto que pode ser modificado pelo homem. Como aparece em obter flores perfeitas e em o papel restaurador não caberia só à natureza.

O limite de uso da natureza é iluminado pela metáfora ontológica natureza é um produto limitado em duas sentenças: explorar a floresta de forma sustentável e áreas devem permanecer intocadas. A natureza é vista como um produto/recurso, porém limitado. Esta metáfora, a meu ver, pode romper com a visão cartesiana e predatória quando indica um limite de uso ao conceituar a natureza como um recurso finito, e que, portanto, não pode satisfazer a todos os desejos humanos.

As metáforas estruturais natureza é pacífica e humanidade é violenta dão sentido à  seguinte sentença: São macacos muito tranqüilos, que vivem sem hierarquia ou agressão, e acho que eles podem servir como um modelo de como deve ser o comportamento humano. Estas metáforas conceituais que aparecem através da opinião selecionada de uma das entrevistadas na reportagem que trata sobre os macacos muriqui poderia estar ofuscando dois fatos: a natureza também é violenta e hierárquica, e a humanidade não é só violenta e caótica, também é pacífica e organizada.

A metáfora a natureza é complexa aparece na sentença cobertura vegetal paulista – um mosaico formado por florestas. Compreender a vegetação em termos de uma construção multifacetada é uma apresentação mais próxima da realidade, pois não ofusca a complexidade de uma floresta.

Outra metáfora estrutural que chama a atenção é ambientalismo é uma luta. Ao privilegiar este caráter de disputa do movimento ecológico a metáfora conceitual ofusca a idéia de que o ambientalismo também é cooperação. Há um ofuscamento bem claro também na metáfora ambientalismo é uma seita, pois o movimento ecológico também é um movimento laico, o que poderia ter sido ressaltado se a sentença fosse escrita de outra forma, trocando, por exemplo, um caçador convertido por um caçador que optou pelo conservacionismo. “Conceitos metafóricos fornecem uma compreensão parcial dos conceitos”. (LAKOFF, 2002:57). Ou, como disse Ferdinand de Saussure no seu Curso de Lingüística Geral, obra póstuma publicada pela primeira vez em 1916, é “o ponto de vista que cria o objeto (SAUSSURE, 2004:15).

7 . Conclusão

Apesar de termos uma parcial consciência do que produzimos, o uso de metáforas conceituais pode ajudar a preencher o hiato entre o mundo vivo e o pedaço de mundo recortado para a página do jornal identificado por Geraque (2004), e talvez também possa diminuir a distância, encontrada por Silva (2005), entre a visão de mundo do jornalista e o conteúdo do texto que ele escreve sobre questões ambientais. Novas escolhas são possíveis, apesar das dificuldades que fazem parte das condições de produção do jornalismo[9].

As metáforas têm uma importante funcionalidade na transmissão do conhecimento e podem ajudar na explicação dos conceitos complexos que fazem parte das narrativas ambientais. A abordagem epistemológica adotada neste artigo – que busca romper com a visão cartesiana que considera a metáfora um mero ornamento da linguagem – permitiu a descrição das metáforas e dos conceitos metafóricos presentes nas entrelinhas dos textos jornalísticos.

A visão unificada de corpo e mente – que fundamenta o conceito de racionalidade imaginativa usado para compreender as metáforas conceituais – tem respaldo em pesquisas e descobertas da neurociência contemporânea. Segundo Damasio (2001), a mente é uma função do organismo, e o corpo proporciona uma referência fundamental para a mente. “A representação daquilo que construímos como um espaço com três dimensões poderia ser engendrada no cérebro com base na anatomia do corpo e nos padrões de movimento no meio ambiente.” (DAMASIO, 2001: 266)

As descrições realizadas neste artigo mostraram que as metáforas conceituais, que emergem desta unidade corpo/mente, podem ser usadas para clarear ou para ofuscar conceitos ecológicos. A metáfora bicho é gente na sentença “siga a anta: ela é um detetive ecológico” aumenta a precisão científica da reportagem ao explicar um conceito ecológico. Por outro lado, parece ofuscar a animalidade humana e a selvageria animal. O jornalista ambiental pode escolher conceitos metafóricos (pontos de vista) para que o efeito de sentido facilite o conhecimento ambiental dos leitores.

O ser humano pode compreender-se a si mesmo do lado de fora do mundo natural, e a conseqüência disso parece ser o uso abusivo dos recursos naturais. Ou podemos nos ver como um ser vivo que evoluiu – e ainda evolui – a sua capacidade cognitiva na natureza, um ser racional e emocional de uma natureza que é selvagem e cooperativa.

O meio ambiente não é um “outro” para nós. Ele não é uma coleção de coisas que nós encontramos. Ao contrário, ele é parte do nosso ser. Ele é o lugar da nossa existência e identidade. Nós não podemos e nós não existimos fora dele. É através de uma projeção empática que conhecemos nosso meio ambiente, compreendemos como nós somos parte dele e como ele é parte de nós. Este é o mecanismo corporificado pelo qual nós podemos participar na natureza, não apenas como caminhantes, alpinistas ou nadadores, mas como parte da própria natureza… [10](LAKOFF, 1999: 566)

Eu concordo com esta concepção de Lakoff e Johnson. A natureza está na civilização, a civilização também é natureza. “Nós somos animais filosóficos”. (LAKOFF, 1999: 551) Talvez não seja preciso apagar a animalidade para ser civilizado, como imaginavam os renascentistas. Compreender a animalidade humana (e a selvageria animal) parece ser uma das grandes tarefas que desafiam o mundo ocidental. As metáforas conceituais podem apresentar nas reportagens os conceitos que mostram a existência de limites e contradições na natureza e na humanidade. Talvez daí possa surgir um ponto de vista humano mais animal, mais ecológico, com mais respeito e até com mais admiração pela vida.

Este estudo piloto mostrou que o conceito de natureza aparece com diferentes sentidos em reportagens ambientais sobre a biodiversidade da Mata Atlântica. Novos estudos precisam ser feitos em um corpus ampliado para um levantamento mais conclusivo sobre a funcionalidade das metáforas conceituais nestes textos jornalísticos especializados. Acredito que também seria de grande utilidade para o jornalismo ambiental brasileiro um estudo terminológico para mostrar o modo como os termos ambientais são associados aos conceitos metafóricos, como fez Huang (2005) ao descrever a linguagem médica sobre AIDS. Uma descrição lingüística destes termos em uso poderia auxiliar na elaboração de novas metáforas para as reportagens ambientais comprometidas com uma visão de mundo mais ecológica.

A meu ver seria igualmente importante um estudo sobre o(s) sujeito(s) ecológico(s) nas reportagens que tratam dos conflitos entre sociedade e natureza, talvez através da abordagem enunciativa que observa as marcas de subjetividade deixadas nos textos. A Lingüística, ao estudar a linguagem utilizada pelos jornalistas, pode revelar as visões de mundo presentes nos textos das reportagens e assim contribuir para a demarcação do jornalismo ambiental como um campo específico dentro do jornalismo. E pode também auxiliar na luta ambiental ao mostrar as possibilidades de uso cotidiano de novas metáforas baseadas no conceito vida é uma rede complexa de relações. Segundo Lakoff, “as metáforas podem criar realidades para nós, especialmente realidades sociais. Uma metáfora pode assim ser um guia para ações futuras (2002: 257).

Um texto ambiental nasce como um bicho e uma floresta: tem a vida complexa de uma mata tropical, os seus sentidos semânticos espreitam nos parágrafos com a fluência muscular de uma onça selvagem, enquanto os conceitos metafóricos saltam pelas entrelinhas como se fossem ágeis macacos muriqui. Quando ele cresce bom e flui, caso das reportagens aqui analisadas, encanta como uma bromélia, a tal escultura vegetal. Mas, como todo animal ou planta no Brasil, também corre risco de extinção, principalmente quando morre pobre no papel como um solo degradado. O desafio ecológico é também um desafio de linguagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DO CORPUS

COUZEMENCO, Fernanda. Projeto Muriqui, parceria de futuro. Revista Século. Vitória, maio de 2002.

DURAN, Sérgio e MONTEIRO, Karla. Jardim de luxo sustenta tráfico de plantas. Folha de São Paulo. São Paulo, 17 de setembro de 2000.

FIORAVANTI, Carlos, ZORZETTO, Ricardo e FERRONI, Marcelo. A floresta renasce. Revista Pesquisa Fapesp. São Paulo, setembro de 2003.

JOHN, Liana. Siga a anta: ela é um detetive ecológico. Jornal da Tarde. São Paulo, 6 de maio de 2001.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAPRA, Fritjof. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. 1ª ed. Cultrix: São Paulo, 2002.

CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. A invenção ecológica: narrativas e trajetórias da educação ambiental no Brasil. 2ª ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002.

DAMASIO, Antônio. O Erro de Descartes. 8ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

GERAQUE, Eduardo. Perceber a biodiversidade. In: VILAS BOAS, Sergio. (org.) Formação & Informação Ambiental: jornalismo para iniciados e leigos. 1ª ed. São Paulo: Summus, 2004, pp.79-110.

HUANG, Carolina. A Metáfora no Texto Científico de Medicina: Um Estudo Terminológico da Linguagem sobre AIDS. Porto Alegre: Instituto de Letras da UFRGS, 2005.

KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. 2ª ed. São Paulo: Abril S.A. Cultural, 1983.

LAKOFF, George e JOHNSON, Mark. Metáforas da Vida Cotidiana. 1a ed. Campinas: Mercado de Letras, 2002.

________. Philosophy in the Flesh. 1a ed. New York: Basic Books, 1999.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Lingüística Geral. 26ª ed. São Paulo: Cultrix, 2004.

SILVA, Márcia Soares. Mídia e Meio Ambiente: uma análise da cobertura ambiental em três dos maiores jornais do Brasil. Rio de Janeiro: UFRJ/ECO, 2005.


[1] Artigo de conclusão do primeiro curso de especialização sobre Estudos Lingüísticos do Texto realizado pelo Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul de agosto de 2004 a agosto de 2005.

[2] Jornalista profissional formado em 1991 na Famecos/PUCRS, integrante do júri do Prêmio de Reportagem sobre Biodiversidade da Mata Atlântica e co-autor dos livros Formação & Informação Ambiental (Summus, 2004) e Comunicação e Meio Ambiente (Peirópolis, 2004).

[3] Doutora em Estudos da Linguagem: Teorias do Texto e do Discurso, co-autora do Glossário Multilingüe de Direito Ambiental Internacional: Terminologia dos Tratados.

[4] George Lakoff é professor de Lingüística da Universidade da Califórnia em Berkeley.

[5] Mark Johnson é filósofo e chefe do Departamento de Filosofia da Universidade de Oregon.

[6] O livro Metaphors we live by lançado em 1980 por Lakoff e Johnson só foi publicado em português em 2002 com o título Metáforas da vida cotidiana.

[7] O debate sobre gênero e tipo textual não é objeto deste artigo. Para mim, gênero é o modo como cada jornalista vê o mundo. Por isso há diversos gêneros de reportagem, cada qual com as suas especificidades: científico, ambiental, policial, esportivo, político, econômico, cultural e outros.

[8] Todas as reportagens estão disponíveis no site <http://www.premioreportagem.org.br&gt; .

[9] A meu ver, a principal dificuldade prática do jornalismo ambiental brasileiro é a obtenção de tempo e dinheiro para viajar e viver a experiência da reportagem de campo, matéria-prima do bom jornalismo.

[10] Tradução minha de: The environment is not an “other” to us. It is not a collection of things that we encounter. Rather, it is part of our being. It is the locus of our existence and identity. We cannot and do not exist apart from it. It is through empathic projection that we come to know our environment, understand how we are part of it and how it is part of us. This is the bodily mechanism by which we can participate in nature, not just as hikers or climbers or swimmers, but as part of nature itself…

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