Metáforas, Capra, Morin e o mestrado

Assim como fazia no meu antigo site, vou tratar aqui também de Lingüística e de Epistemologia do Jornalismo Ambiental. No curso de especialização que fiz no Instituto de Letras da Ufrgs descobri as metáforas conceituais e logo percebi que se tratam de uma poderosa ferramenta de trabalho para o jornalismo ambiental.

Quem me deu a primeira pista foi o Fritjof Capra no livro As Conexões Ocultas, como contei no artigo Quando os bichos e as plantas falam que escrevi como jurado do Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica 2005, disponível no link http://www.premioreportagem.org.br/article.sub?docId=17638&c=Brasil&cRef=Brazil&year=2005&date=janeiro%202005 .

Durante o curso de especialização sobre Estudos Lingüísticos do Texto investiguei, orientado pela Maria José Bocorny Finatto, as “Metáforas conceituais em Reportagens premiadas sobre a biodiversidade da Mata Atlântica”. O artigo, publicado pelo Wilson Bueno, está disponível no link http://www.agricoma.com.br/revista/02/artigos/artigo1.asp .

Cinco anos depois, bateu uma vontade louca de voltar a estudar. Pescando idéias que rendessem um pré-projeto de pesquisa para o mestrado no Jornalismo, devorei em dois dias Introdução ao Pensamento Complexo, do Edgar Morin, publicado pela Sulina em 2005, mesmo ano que terminei meu curso de especialização. Olhem só o que encontrei no final da página 116:

Sou sensível aos poderes, aos encantos da conotação. Cedo a isso, mas também me sirvo disso. No que concerne à analogia, criticam-me por minhas metáforas. Primeiro, faço metáforas sabendo que são metáforas. É muito menos grave do que fazer metáforas sem saber o que se faz. Além disso, sabe-se que a história das ciências é feita de migração de conceitos, isto é, literalmente de metáforas. (…)

É exatamente o que George Lakoff e Mark Johnson revelaram em Metáforas da Vida Cotidiana (publicado no Brasil em 2002 pela editora Mercado de Letras): as metáforas, mostraram eles, podem clarear e/ou ofuscar conceitos. Para quem tiver interesse no tema, recomendo dos mesmos autores Philosophy in the Flesh (Basic Books, 1999).

Esse trecho que encontrei no livro do Edgar Morin era a pilha que me faltava para voltar a estudar as metáforas conceituais. Desde vez, quero olhar com lupa de lingüista alguns textos publicados nas revistas Página 22 e Brasil Sustentável, duas publicações de alto nível editorial que, com certeza, me proporcionarão um excelente material para meu corpus (como chamamos o objeto de estudo na área textual).

Mas primeiro, é claro, preciso passar na seleção do mestrado. 🙂

Um comentário em “Metáforas, Capra, Morin e o mestrado”

  1. Acabo de conhecer teu Blog.
    E [pasme!] prá mim o “Edgar” é “o cara”…
    Certa vez dissertei sobre uma obra dele chamada “Ciência com Consciência”, leitura obrigatória na minha formação mas um paragrafo [se bem recordo] orientou muito minha forma de ver as coisas… chamava-se “O Todo não é uma Capa” [ou algo assim].
    Então Beto, no mestrado ou na vida considerar o todo sem conhecer as particularidades das partes, além de simplista, torna o real irreal, afinal a vida em si é uma “grande metáfora”
    Um bj e Parabéns…
    Liz

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