Quadruplicação de uma fábrica de celulose: um escândalo político e ambiental

Fábrica de celulose fotografada do calçadão de Ipanema em Porto Alegre no dia 5 de junho de 2011

O Centro de Estudos do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul promoveu na manhã de hoje (29/06) um encontro entre desembargadores e o geneticista aposentado Flávio Lewgoy, 85 anos, ex-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan). O título da palestra: “Quadruplicação de uma fábrica de celulose: um escândalo político e ambiental”.

Se o projeto de ampliação da Celulose Riograndense (ex-Riocell) for confirmado pelos novos donos da fábrica de Guaíba (RS), o grupo chileno CMPC, nos moldes do polêmico EIA-Rima apresentado pelos ex-proprietários, o volume de efluentes líquidos lançados no lago Guaíba – resultantes do processo de branqueamento com dióxido de cloro – saltaria dos atuais 59 mil para 154 mil m3 diários.

“Eu fiz um histórico desde a primeira fábrica de celulose do Rio Grande do Sul, que utilizava fibra de taquara, depois transferida para o local da Borregard, que nas últimas quatro décadas já mudou várias vezes de dono. Expliquei os impactos ambientais do processo de branqueamento, da usina à carvão e do clorofórmio que sai das lagoas de decantação, mostrando que o ideal, porém mais caro, seria um processo de circuito fechado”, me relatou depois da palestra o professor Lewgoy.

Ele disse que ficou muito satisfeito com o interesse dos cerca de 70 participantes do encontro que lhe fizeram “perguntas muito inteligentes”. Boa parte da conversa girou em torno da Ação Civil Pública 001/1.08.0208326-2 que tramita na 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre desde 2008 contra Ana Pellini, ex-presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), o órgão ambiental do Rio Grande do Sul.

Ela é acusada por cinco entidades ecológicas gaúchas – Agapan, Igré, Instituto Biofilia, Projeto Mira Serra e Saalve – de pressionar e perseguir funcionários da Fepam contrários ao projeto de quadruplicação da polêmica fábrica de celulose instalada há 40 anos na frente de Porto Alegre (RS), às margens do lago Guaíba que abastece de água potável a capital dos gaúchos.

O megaprojeto de produção de celulose foi sepultado, sem muita explicação, após a crise financeira mundial que eclodiu no final de 2008. Após a Votorantin e a Aracruz formarem a Fibria, eles venderam a fábrica de Guaíba para o grupo chileno CMPC. A expectativa do setor é que os novos proprietários anunciem até setembro a retomada do projeto de ampliação da Celulose Riograndense (ex-Riocell).

“Se for confirmada a quadruplicação dessa fábrica de celulose, o impacto ambiental será tremendo”, informou nesta manhã Flávio Lewgoy aos desembargadores presentes ao evento promovido pelo Centro de Estudos do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.

“O meio ambiente é preocupação de todos e a palestra do professor Flávio Lewgoy abordou a poluição do Guaíba, a importância do lago para Porto Alegre e como ele está sendo poluído por algumas empresas”, informou através de sua assessoria o desembargador Nereu Giacomolli, coordenador do Centro de Estudos do TJRS. A palestra foi considerada ótima e foi sugerida uma próxima sobre os transgênicos.

Por Roberto Villar Belmonte (rvillar21@gmail.com)

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